Outro dia eu amarrei um pano para tampar meus olhos, fechei a porta do quarto, desliguei a luz e comecei a rodar. Rodei tanto que não sabia mais onde estava, tinha uma música tocando, não sabia dizer qual era, mas se que ela estava tocando muito suave, mas estava! O meu objetivo com isso tudo era chegar a porta e me libertar de tudo o que me prendia ali dentro - a tontura, a escuridão... - mas tive obstáculos, esses eram os piores. Eu tinha o medo de me fazer começar e continuar, tinha a vontade de sair dali... Mas nada era de fato feito!
Passei a escutar relógios, os tic tacs que eles fazem quando está passando os segundos, o triiiimmm de quando desperta... Escutei tudo, e escutei que eu havia perdido a largada. Vi que tinha perdido tudo de bom no passado, mas era obrigada a viver como se nada tivesse acontecido.Não gostava e até hoje continuo não gostando, o tempo passa... Mas fica do mesmo jeito, ouço gritos, guitarras, baterias, vozes... De onde elas vem? De quem são? O que? Não entendi!
E eu ainda continuava ali, no meu quarto escuro querendo sair. Mas eu permanecia parada, quieta no meio do quarto, parada como se eu tivesse cansada de correr e parasse. Tudo continuava rodando mas ao mesmo tempo eu estava parada. Acho que eu passei uns 30 minutos daquele jeito, e passou um filme não muito legal na minha cabeça. Aqueles tipos de filme que você nunca pagaria nem r$1,00 para vê-lo. Acho que aquele filme tomou mais 1 hora da minha brincadeira/terapia.
Depois de tudo consegui dá um passo, eu havia caído em um buraco (tropecei no ventilador, como sempre acontece e caí em cima do controle do ar-condicionado), escuro e calorento. Mas escutava um ventilador próximo de mim funcionando. Me levantei em um pulo, senti como se eu tivesse saído do buraco... Afinal, senti o vento nas minhas pernas... Andei, mas não podia tocar em nada havia amarrado minhas mãos para que eu desse um jeito de abrir a porta trancada sem minhas mãos!
Você pode até achar loucura, mas você só sabe se é loucura se provar um pouco dela! Então sai quarto a dentro batendo em tudo, ganhei umas manchas roxas na canela e nas pernas. Eu mantinha minha cabeça baixa para se fosse ferir algum local, que fosse o couro cabeludo e jamais meu rosto. Acho que 1 hora depois eu consegui encontrar a porta do banheiro, essa foi fácil de abrir, mas não foi fácil esquecer a dor que eu tive quando me dei de cara com o box do banheiro. Fez um barulhão, mas não quebrou.
Consegui aos poucos sair do banheiro, e cheguei a porta do quarto. Tentei abrir com meus ante-braços mas havia um porém: Ela estava trancada!!!!!! Como abrir uma porta trancada, se eu não tinha minhas mãos? Eu fiquei ali, tentando abrir de todas as maneiras... Mas teve uma que não veio na minha cabeça de primeira - eu tenho dedos dos pés!!!. Passei acho que um dia tentando abrir com o dedo dos pés, mas logo quando eu consegui girar toda a chave e abri a porta....
Vi que eu não poderia tirar a venda dos olhos sem as mãos! Tirei-a com os pés...
Liguei a luz com os pés e a moral disso tudo:
-Por mais que você se conheça, por mais que você conheça as pessoas, por mais que você conheça o seu animal de estimação ou até mesmo seu quarto.... Você não saberá o que fazer quando se ver todo amarrado diante dele!
Kamilla Matos
sábado, 17 de setembro de 2011
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